sábado, 7 de maio de 2011

Pra ler de vez em

A maior motivação para emagrecer

No último ano, emagreci 10 quilos. É um pouco chato revelar isso porque sei, seria hipocrisia se eu afirmasse não saber, que após a palavrinha “quilos” metade das leitoras soltaram um ó mental de admiração e a outra metade um humpf mental de inveja; ou, o que é mais provável dada a complexidade e ambiguidade das pessoas, todas soltaram um ó-humpf simultâneo, ao mesmo tempo felizes por mim e se perguntando o que foi que essa vaca fez para conseguir emagrecer tanto. Saiamos das interjeições mentais e passemos aos fatos: 1) ainda vou emagrecer mais uns seis quilos, no mínimo; 2) não conheço nenhuma mulher que não queira emagrecer. Quando conto minha história de emagrecimento – que, aliás, não teve nada de épica e não exigiu de mim nenhum sacrifício excruciante, apenas muito tempo e algum dinheiro -, as reações femininas são sempre, invariavelmente empáticas. Ou elas manifestam sua admiração e aprovação por minha determinação em me manter firme no bom caminho, afastada das tentações, ou tudo isso aí e aproveitam para dizer que também elas estão – ou deveriam estar – neste sagrado caminho de luz, já que uns três quilinhos a menos fariam toda a diferença naquele vestido a ser usado na formatura do concunhado.
É sempre igual. Nunca houve uma mulher que me olhasse torto e manifestasse toda sua estranheza através de um “ma chê, por que foi mesmo que você decidiu emagrecer tanto? Será que precisava?”, e isso teria sido tremendamente antipático e mal-educado, e também teria sido tão lindo que perigava eu abraçar esta mulher, pegar seu telefone e ligar para ela todos os dias em que eu estivesse me sentindo tão inútil como hoje. Não porque eu teria concordado com a inexistente mulher, claro que não – eu, como todas as mulheres que conheço, acho um saco estar acima do peso e não é para “cuidar da saúde” que vou à academia todos os dias ou duas vezes por dia; minha saúde está tão boa e tão ruim como sempre esteve e meu emagrecimento nada tem a ver com colesteróis ou açúcares no sangue, é só pra ficar mais gostosa mesmo que eu tô nessa; e é engraçado porque tudo no mundo nos (=mulheres) empurra para emagrecer, rejuvenescer, ficar mais atraente e, não sei se eu já disse, emagrecer, mas quando a gente afirma que está emagrecendo precisamente para tudo isso aí, para ficar mais gostosa, ocorre quase que uma comoção, nossa, como ela pode ser tão fútil a ponto de ir à academia todos os dias só pra ficar gostosa?, como se não tivesse mais o que fazer da vida – aliás, não tenho mesmo -; eu, como já deu para perceber, não acho nem um pouco tranquilo ser gorda, mas até que seria bom, seria inclusive divertido, se houvesse alguma mulher no mundo que considerasse esse meu ímpeto emagracetório uma grande bobagem. Não porque ela estaria certa e nem porque ela estaria errada, mas simplesmente porque ela estaria, isto é, ela seria-no-mundo – e esse é um tipo de ser que, eu acho, faz falta.
Sim, claro, é óbvio que esta mulher existe – eu diria até que tudo no mundo existe -, acontece que eu não convivo com ela. Nem eu nem, aparentemente, ninguém em todo o jornalismo impresso. Porque, e é por isso que estou escrevendo este post, a maior mudança na minha vida com dez quilos de Camila a menos para carregar – e nunca deixarei de estranhar imensamente esse processo ao qual nos referimos descoladamente por secar, enxugar, afinar: porque, afinal, não é verdade que eu eu estava molhada e me sequei ou enxuguei com uma felpuda toalha absorvente de calorias, e tampouco é verdade que minha grosseria deu lugar a uma recém-conquistada phynura – o fato é que dez quilos de mim sumiram, foram embora sabe-se lá por quais mecanismos (não entendo nada de bioquímica, a ponto de nem saber se é a bioquímica que mais bem explicaria esse processo); dez quilos que eram tão eu quanto são os meus cabelos ou meus neurônios simplesmente deixaram de existir no mundo, viraram outra coisa, e ainda tem gente que fica blasé pra isso, achando corriqueiro e tranks, e simplesmente, felizes deles, não conseguem ver a bizarrice da coisa – a maior mudança na minha mais fina e enxuta vida está longe de ser a meia dúzia de calças e vestidos reabilitados ao longo do último ano, ou mesmo a sensação de nunca-estive-tão-gostosa que frequentemente me invade. A maior mudança que o sumiço dos dez quilos – e o empenho para que sumam seis mais – me trouxe é sentida intensamente na fila de espera do supermercado.
Repare que se houvesse mais funcionários trabalhando nos caixas do Pão de Açúcar do lado da minha casa, reduzindo assim o tempo de espera nas filas, meu emagrecimento teria passado quase que despercebido pela minha profunda e borbulhante subjetividade. Quis Deus, Google ou O Acaso que não fosse lucrativo para o tio Abílio contratar tais funcionários, e isso me deixa sempre de 5 a 10 minutos esperando na fila. E o que eu faço enquanto espero? Eu faço as contas do que está no carrinho tentando adivinhar quanto que eu vou pagar? Eu penso em comprar por impulso um trident ou um ferrero rocher? Não: eu olho as revistas que estão na gôndola.
E sempre vivi o momento de olhar as revistas que estão na gôndola como a mais absoluta e radical experiência de alteridade. Sempre olhei para tudo aquilo com uma intensa e divertida curiosidade antropológica: “vamos ver as coisas pelas quais as pessoas humanas se interessam no mundo; vamos ver quais são seus sonhos, medos, desejos, frustrações”. A importância desse momento não pode ser subestimada porque, sem ele, o que seria do convívio social com as pessoas do mundo? É bom ir para o almoço de domingo em família já sabendo, dentre outros fatos, que Clara ama o Totó (ou seria o contrário? mas é certeza que esses aí formam um casal na novela, porque os casais de novela sempre são formados por uma pessoa de nome comum e outra de nome pouco usual; nunca houve nem jamais haverá um casal tipo “Pedro e Mariana”; se o homem do casal se chama Pedro, é batata que a mulher se chamará Maria Esmeralda, e se a mulher se chama Mariana, pode apostar que seu homem será José Amásio), que Adriane Galisteu teve filho, que Débora Falabella se separou, que o Brasil está virando uma ditadura controlada por um polvo, enfim, a gente aprende essas coisas fundamentais para uma comunicação exitosa com os outros humanos do mundo. Nada disso, porém, jamais fez parte da minha realidade. Assim, nunca. Essas são coisas que sempre me propus aprender em função de um outro, frequentemente imaginado (não me lembro de ter discutido a vida sentimental das atrizes globais com ninguém recentemente, se bem que faz tempo que não saio com um grupo de amigas). Foi sempre a um outro que essas revistas se dirigiram. Nunca fui público de nenhuma delas. Não é a mim que a revista pretende conquistar quando põe um polvo na capa, assim como senhorinhas católicas não são exatamente o público-alvo da banda Restart (outra coisa que aprendi nas gôndolas). E assim vivi minha vida… Até que comecei a emagrecer.
Porque comecei a emagrecer e, de repente, TODAS as revistas passaram a dirigir-se a mim. Todas, sem exceção, trazem um infalível plano de emagrecimento com o inacreditável sopão de farinha da ração humana que faz você perder 2, 4, 6 (quer pagar quanto?) quilos em 3, 2, 1 semanas, ou melhor, em 3, 2, 1 dias ou quem sabe até em 3, 2, vá lá, 1,5 horas. Foi só cair o cheque de pagamento da academia que virei público de todas essas revistas ao mesmo tempo. Todas querem me conquistar. Todas recomendam uma farinha, um shake ou uma sopa que mudará minha vida para sempre. Todas trazem histórias de superação de gente que viu Jesus e emagreceu ou vice-versa e, principalmente, todas trazem receitas maravilhosamente complementares a esta necessidade geral de emagrecimento: de dia você faz o bolo de lidificador de chocolate e doce de leite, com recheio de caramelo e cobertura de suspiros, e à noite toma o extrato de berinjela com pó de linhaça para ver se as moléculas naturebas conseguem destruir ou pelo menos neutralizar a ação das moléculas pecaminosas no seu organismo. Haja Melanie Klein.
Além de ser estranho, é um bocado desagradável conviver com tantas revistas querendo me conquistar (haja Melanie Klein 2: “a perseguida” falando). Porque, convenhamos, nada mais clichê do que uma mulher que quer emagrecer. Nada mais previsível e tedioso. E, vejam, eu tenho o meu orgulho. Eu gosto de me sentir diferente tanto quanto eu gosto de me sentir incluída num grupo. E o processo de emagrecimento me fez entrar em contato com esta difícil verdade: Camila, minha filha, tu não é nada demais. Né melhor do que ninguém não. Você é apenas, como todas as outras, uma mulher que quer emagrecer. Você pode até não comprar a revista ou tomar o sopão – mas ah, como você queria. Tomar uma sopa que magicamente eliminasse todos os seus problemas acumulados ao longo dos anos. Ser a gostosa, se não na capa da revista, pelo menos do espelho aqui de casa. Virar um exemplo de superação a ser admirado, invejado e imitado. Em suma, sou um clichê ambulante. Vai daí que minha maior motivação para emagrecer os quilos que faltam deixou de ser a vontade de ficar mais gostosa e ter mais facilidade para comprar novas roupas, além de poder recuperar as antigas.
Minha maior motivação para emagrecer é minha vontade de deixar de ser uma mulher que quer emagrecer.


ComentárioDeborah Leão
http://arealidadeelouca.wordpress.com/
Sabe qual é a sua grande diferença em relação às mulheres que querem emagrecer? É que você realmente quer emagrecer. E só isso. E, quando estiver num peso legal, vai parar de fazer tanta coisa a respeito, vai relaxar, vai comer com tranquilidade, e vai só tentar não engordar de novo.
A maior parte das mulheres que querem emagrecer querem mesmo é só se manter nesse ciclo sacrifício-compulsão: uma alface no almoço, um pote de sorvete de frustração no jantar. E uma culpa imensa, imensa, cheia de ganho secundário. E muito pouco emagrecimento de verdade, porque veja, esse não é o desejo delas, é só o que elas acham que querem.
Passei por algo parecido, ano passado. Achei que estava gordinha, fechei a boca, comecei a malhar, fiquei bacana. E as pessoas perguntavam “nossa, mas o que você fez pra emagrecer?” Fiz dieta nenhuma, mas parei de comer sobremesa todo dia, reduzi os restaurantes de fim de semana, diminui um pouco a quantidade geral de comida, e fiz exercício. Nada em excesso, mas fez o efeito esperado, porque eu queria emagrecer, não queria entrar no ciclo da culpa. E as pessoas acabavam mudando de assunto, porque o que eu estava dizendo era tão óbvio.
Aliás: se elas realmente quisessem emagrecer, não precisava de tanta revista. Bastava uma, explicando os princípios. As pessoas seguiriam, e pronto. O que leva alguém a efetivamente assinar uma revista dessas, e passar anos recebendo mensalmente dicas para emagrecer, que não consegue por em prática? Não é a vontade de emagrecer, com certeza…

Meta atingida = Presentão

A cada meta intermediária vou me dar presentinhos como monitor cardíaco, tenis, tops, etc,... Mas caso eu atinja a meta maior 69kg e os mantenha por aproximadamente um ano, ganharei um Presentão: Seios Novos
Isso mesmo se tudo sair como esperado, vou programar pra que em maio/junho do ano que vem fazer uma plastica pra colocar silicone...

Dificuldades

É claro que há dificuldades e são muitasna verdade, pois nessa semana (a 2ª) ja efiei o pé na jaca 2 vezes, o que 4ª-feira e sábado,

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Meta atingida = Presentinho

Já faz um tempinho que eu vinha pensando em colocar uma meta (pequena) e estipular um presentinho pra quando eu atingi-la. Mas não sabia muito bem qual seria, mas acabo de ter uma idéia.

Meta a ser atingida: 79,900 kg, ou seja, descer pra casa dos 70s kgs
Presente a me dar: Monitor cardíaco.

Ja faz um tempinho que quero comprar, pois vai me ajudar a treinar na Zona de Queima de Gordura.

Então tá, agora quero um monitor Cardíaco!!!

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Hoje é dia de pesagem no Vigilantes do Peso.
Pra mim é um misto de curiosidade e preocupação. Pois eu havia imaginado fazer as pesagens de 15 em 15 dias, pra não haver desestímulo, mas no Vigilantes a pesagem é a cada semana, portanto hoje tem pesagem.
Estou curiosa e ao mesmo tempo muito preocupada se não houver redução...
E sinceramente não sei dizer se houve ou não, parece que não vejo diferença nenhuma no meu corpo...
Além do mais o programa prevê que pra quem está amamentando uma redução de 500g por semana, o que eu acho muito pouco...
Enfim, vou passar o dia pensando e repensando... Mas seja qual for o resultado da primeira semana  não posso desistir, pois meu compromisso é de 90 dias....
E ja houve randes melhoras, pois havia 4 anos que não conseguia tempo pra academia, e lá estou eu, suuuper feliz, se não houver diferença nessa primeira semana, na próxima terá com certeza...